quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Bestiais Garotos

Primeiros rappers de sucesso no mundo, os branquelos judeus dos Beastie Boys, foram quem abriu caminho para que as canções e artistas mais bem-sucedidos dos últimos tempos fossem os rappers. Porém, aqui quero comentar, como sempre, sobre algo que foge à regra, um álbum instrumental deles.

Como muitos jovens novaiorquinos da década de 80, os Beastie Boys tinham uma banda de hard-core/punk rock. Gravações bem trash deles foram lançadas no disco "Aglio e Olio", mas também não é desse que comento aqui. Em 2007, cansados de fazer o costumaz rap cômico, às vezes crítico, o trio resolveu se arriscar novamente (vide o álbum "The In Sound from Way Out!") a fazer e performar canções empunhando instrumentos musicais, leia-se baixo, guitarra, piano/teclado e bateria

"The Mix-Up" (perdão os links em inglês, mas é que os artigos de lá dão de 10 a 0 nos em português) é uma arrojada tentativa de variação de estilo do trio. Mas deu bem certo. Canções como "Suco de Tangerina", inspirada pela visita deles ao Brasil em 2006 (eu fui!), e que é uma "viagem" no suco tradicional, "Electric Worm", uma linha de baixo pesada e profunda, "14th Street Break", e seu baixo mais marcante ainda, entre outras, fazem desse álbum um bem charmoso, elegante e bem-feito.

A produção contou, é claro, com uma mão brasileira, vale ressaltar. Mário Caldato é produtor do grupo há algum tempo, além de ajudar com algumas passagens musicais e produzir outros músicos de renome por lá e por cá (Seu Jorge, Planet Hemp, D2, Chico Science e a Nação Zumbi). Outro bom motivo para arriscar e dar uma checada nesse disco magistral dos Beastie Boys.

Só para terminar o post com algo atual, tão atual que, por aqui, ninguém está sabendo ainda, pelo jeito, o grupo lançou um disco novo pelo nome de "The Hot Sauce Comittee pt.1". Veremos como eles se sairão na volta ao hip-hop!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A Arte em Ser Pop

Quem nunca achou um filme ou uma música comercial genial que atire a primeira pedra! É um verdadeiro chato – e hipócrita - quem afirma só assistir filmes da Nouvelle Vague e ouvir Bach, Beethoven e Villa-Lobos. Acho que já deixei bem claro pelos meus textos do blog que eu particularmente sou um defensor do pop de qualidade. E é disso que eu vim falar hoje.

Reitero, de qualidade. Não tô dizendo de forma alguma que tudo que toca na Jovem Pan tem seu charme. Mas acho ridículo quem só considera bom o que não tá no mainstream. Bons exemplos na música, no cinema, na literatura e nas artes plásticas é o que não falta.

No campo da sétima arte, por exemplo, temos diversos filmes – e suas respectivas continuações - que, apesar de, muitas vezes, terem desfechos previsíveis, se tornaram clássicos. “007”, “De Volta para o Futuro”, “Rocky”, “Star Wars”, “Indiana Jones”, “O Poderoso Chefão”, “Karate Kid”, etc. Isso sem contar os filmes baseados nos quadrinhos, que fazem os olhos dos fãs – como eu – brilharem a cada nova estreia. E pensar que nessa lista tem quem ganhou Oscar de melhor filme, tem trilogia, tem trilogia dupla, tem heróis carismáticos, cenas clássicas e frases memoráveis que marcaram toda uma geração. Esses filmes, na maioria das vezes, não têm nenhuma divagação filosófica nem nada, apenas um enredo criativo e uma história interessante, às vezes tão interessante que é criado um mundo inteiro somente para um filme.

A música também é recheada de exemplos. Meu ritmo favorito talvez seja o maior de todos. O Rock N’ Roll, por ter sido criado pelos negros numa fusão do Blues e do Gospel com um ritmo mais frenético nos idos anos 50, foi duramente criticado pelos admiradores das Divas e dos musicais da época. E o Rock aos poucos foi angariando seu espaço, despertando fãs até que um rapaz de um rebolado admirável conquistou o coração das meninas da época. Elvis, apesar de branco, popularizou o ritmo. Popularizou tanto que chegou até os ouvidos de 4 rapazes de Liverpool, do outro lado do Atlântico. Após os Beatles – os maiores exemplos de pop de qualidade da música –, ouso dizer que o mundo nunca mais foi o mesmo.

A literatura e as artes plásticas também não escapam. Desde os versos brancos e livres do modernismo até os quadros coloridos de Andy Warhol. Arte acessível para todas as classes, credos e ideologias. Acho que também já deu pra perceber que sou um ferrenho defensor da democracia, inclusive, na cultura. O pop de qualidade é só a melhor maneira de alcançá-la.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Entre Beijos e Despedidas

Não, não vá embora.
Já é passada a hora
De você perceber

Que se você for agora,
Sem me dizer onde mora,
Posso nunca mais te ver.

E o sentimento que me aflora,
Sem sua face que cora,
É sinônimo de sofrer.

Ironias da Vida

Ler...isso não é um tanto pessoal? Se cada pessoa absorve a dita informação de sua maneira particular, não vejo relação mais íntima do que entre um leitor e um livro. E a leitura torna-se muito mais prazerosa se a gente está a sós, em um ambiente silencioso e com a iluminação adequada. Cada palavra passa rapidamente por nossos olhos, não como detalhes desapercebidos, mas olhados apressadamente com a ânsia de terminar a oração, saber o todo. A fome de conhecimento se apodera da gente, e parar se torna inimaginável, não é visto como uma opção. O contato torna a experiência ainda melhor, você tocar no livro faz o ato de ler mais efetivo e intenso. Claro, encontrar o parceiro ideal é essencial, ninguém consegue viajar dentro de um livro chato. Ler em voz alta, como uma dramatização das sensações ali contidas, é legal também. Sussurrar palavras em harmonia, ou em altos brados narrar os "arabescos horizontais"(de Oswald de Andrade). Falando assim, ler é como amar...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O Malandro Exemplar

Quando temos oito das canções do top ten americano sendo de "gangsta rap", a última coisa que nos vem a cabeça é o nosso humilde sambinha. Pois bem, vale bastante dizer que, não fosse o famoso porta-voz do morro do Cantagalo, Bezerra da Silva, muitas coisas seriam diferentes. Como?

Ao ficar à margem do samba de partido alto comercial, mas sempre exercitando aquela sua veia cômica e crítica, muitas vezes ácida, porém, sempre engraçado, Bezerra fez surgir um gênero a parte do que já existia no samba e na música mundial, o famigerado Sambandido (valeu, autor do artigo do músico na Wikipédia).

Essa nova classificação musical engloba aquelas canções que, usando o ritmo do samba e o dinamismo do partido alto, mostra a realidade e as mazelas dos morros cariocas. Nisso, Bezerra acabava descrevendo vários tipos, personagens típicos dos morros (o corno, a sogra "sapatão", o pastor ladrão, entre vários outros), situações, nem sempre motivo de riso, como as dificuldades de se morar num lugar cercado de drogas, policiais safados. Enfim, a vida das pessoas marginalizadas pela sociedade. Essa é a fórmula básica das canções de Gangstas americanos, que tiveram origem com artistas como Public Enemy, Run DMC, Tupac, e a lista continua a crescer a cada dia, tendo em vista o sucesso desse gênero por lá.

Nesse texto, ainda, gostaria de destacar as não muito comuns parcerias que Bezerra firmou em sua vida musical de sucesso (relativo, já que morreu sem mudar muito suas condições no morro). Além do famosíssimo concerto com Dicró e Moreira, os três malandros, gravações com RPM, Kid Abelha, Planet Hemp e outros artistas do rock brasileiro fizeram com que as obras de Bezerra da Silva fossem mais conhecidas e difundidas pelo Brasil.

Talvez, quem me conhece pessoalmente, não esperasse me ver escrevendo um texto sobre um sambista, ao invés de ficar louvando o Rock'n'Roll. Porém, tenho por ideal não ficar sempre na mesma coisa, além de buscar novidades (ou mesmo clássicos) de qualidade.

Fica aqui a dica, para quem não conhece ou pra quem conhece, descobrir, ou redescobrir, as ótimas histórias do morro, narradas por Bezerra da Silva.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Mania de Grandeza

Uma pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada na última semana, apontou a preferência dos clubes de futebol no estado do Paraná. Do nosso estado, apenas 15% dos entrevistados torcem por algum time do Paraná. Atlético 8%, Coritiba 5%, Paraná Clube 2%, não foram nem mencionados na pesquisa times de tradição no estado como o Londrina Esporte Clube. 30% demonstraram não ter preferência por time algum, o que até é bom, pelo fato de ser uma dor de cabeça a menos, torcer dá trabalho. Mas aí olho para o topo da pesquisa e vejo o nome "Corinthians". Em segundo lugar, empatado com meu amado Furacão, há o Palmeiras com 8%. Esperando o quarto lugar ser mais uma conquista frustrada do centenário alviverde deste ano, vejo ainda Flamengo (7%), São Paulo(6%) e Santos (6%), a conquista do sétimo lugar, mais um presente amargo para nossos camaradas rivais.

É muito fácil explicar essa preferência por clubes do eixo Rio-São Paulo. A colonização do norte do estado foi predominantemente feita por paulistas na expansão cafeeira. No oeste paranaense, a cada 50 km você encontra um CTG (Centro de Tradição Gaúcha), fruto da migração feita para a criação de milho, soja, pecuária, gado. Porém, isso já faz mais de 80 anos, já se foram aí quase quatro gerações 100% paranaenses. Não consigo encontrar em quase nenhum lugar do Paraná uma identificação estatal, um patriotismo como há no Rio Grande, quando se comemora o aniversário da Revolução Farroupilha, ou em São Paulo, quando grande parte dos nomes de ruas, rodovias, é atribuído a Bandeirantes que matavam e escravizavam índios.

Nosso governador até tenta forçar um pseudo-orgulho de ser paranaense, ao impor que, antes do início de todas as partidas de futebol, seja executado o hino do nosso Estado. Aliás, consegui decorar parte do hino, “dentre os astros do cruzeiro és o mais belo a fulgir...”, e por aí vai.

Voltando ao futebol, faz 80 anos que nossos times daqui tiveram a chance de cativar os paranaenses das mais diversas regiões. É claro que há obstáculos, as filiais da Rede Globo espalhadas pelas regiões do Paraná transmitem o sinal direto de SP, o jogo do fim de semana: Corinthians x Náutico. Porém, falta um futebol aguerrido, de qualidade nos nossos times. Para que vou torcer por um time que só leva sacola? Que luta para não cair faz cinco temporadas? Que está na segunda divisão sem esperanças para voltar a subir? Que cai no centenário? Faço essa pergunta para mim mesmo diariamente, mas eu não tenho cura. Nós curitibanos torcemos pois temos uma história com o time, vivemos próximo ao Estádio, somos sócios. Mas e o pessoal do interior? Eles não tem esse privilégio de estar próximo ao time, então escolhem o time que mais veem na TV, que está no topo da tabela, escolhem o time dos artistas da Globo, time dos pais, do primo.

Basta os nossos times voltarem a jogar um futebol decente, fazer alguns clássicos no interior. Falta nossos times largarem a "mania de grandeza" e, de uma vez, serem grandes. E que venha o disputadíssimo campeonato paranaense.

sábado, 16 de janeiro de 2010

O Preço do Sistema

Bem, férias é pra fazer turismo mesmo. E aqui estou eu em Foz, comemorando o aniversário da minha avó. A primeira coisa em que fomos dar uma olhada ao chegar, é óbvio, foi os horários dos passeios turísticos e seus respectivos preços (ninguém é de ferro). Não pude evitar de olhar torto pra mulher quando ela disse que precisávamos dar vinte e dois reais para entrar nas cataratas.

Pagamos mais de 64 tipos de impostos, o equivalente a 40% de nossa renda, e ainda precisamos comprar uma entrada para acessar um bem público! Claro, cobrar ingresso se faz necessário para manter a infra-estrutura do parque. No entanto, o preço deveria ser algo acessível a todos, visto que a cidade gira em torno do turismo, o qual gera uma gorda arrecadação pro fisco. Tem também a ITAIPU, que mesmo parcialmente privatizada, cobra uma taxa de R$37,00 para fazer toda a visita.

É evidente a crescente burocratização dos procedimentos mais simples possíveis. Assim, nosso sistema brasileiro abre brechas para o chamado fenômeno de "caciquezação", onde todo mundo, por menor que seja o seu cargo, acha que manda naqueles que tem cargos mais simples, havendo as mais variadas esferas de poder e burocracia. Olhe no judiciário, para que você seja bem atendido nos cartórios da vida, fazer o processo andar, etc, é preciso conhecer o cartorário, ser amigo do estagiário balconista, do oficial de justiça. Mesmo que a história do sobrenome tenha perdido a força, manter a panca de importante continua sendo válido, por isso a importância da imagem, até mesmo para aqueles que frequentam o fórum.

Fica claro que hoje a república não é de todos os brasileiros, e posso dizer que nunca foi, e até que nunca será. Para que se mantenha uma estabilidade no país, a desigualdade se faz necessária. Mas o movimento de privatização da res publica é descarado! O sentimento de pertencimento a esse todo não é compartilhado por muitos. Essas barreiras que são estabelecidas pelas mais variadas esferas do sistema, como um ingresso caro, ou a necessidade de uma imagem imponente, são um dos fatores que emperram a humanidade de caminhar para frente.

Não me atrevo a oferecer uma solução a todo esse problema, mas penso que não podemos também usar da lógica daquele antigo ditado de "briga de marido e mulher...", afinal mesmo não estando envolvidos faticamente com o problema, porque fazemos parte de uma fina fatia abonada da sociedade (que tem acesso a internet, educação, no mínimo), deveríamos nos sentir comovidos ao perceber todos esses problemas, se importar com aqueles devido a um sentimento de humanidade. O Pedro sempre diz isso, como humanos, não poderíamos permitir certas injustiças. Cabe a nós utilizarmos as ferramentas que temos nas mãos: educação, para podermos fazer algo para mudar no desempenho de nossas funções dentro da sociedade.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Fazer a Diferença

Até que ponto realmente acreditamos na possibilidade de fazer a diferença para o mundo? Até que ponto lutar por um ideal supre todas as críticas e deboche de um esforço dito como “sem resposta”?

Superação, fé, trabalho, trabalho, trabalho... Essa foi a vida da paranaense Zilda Arns, médica de formação, criadora da Pastoral da Criança, angariou simpatizantes dessa organização que buscou amenizar a carência que nosso país tem em relação ao amparo às crianças pobres. Na liderança de uma batalha que parece sem fim, nunca desanimou e, apesar de ter partido, deixa esse espírito de perseverança para todos nós. Além de lamentável, sua partida deve ser também uma lembrança de que é possível fazer a diferença. Essa paranaense, digo isso com orgulho, contradiz uma matéria da Gazeta do Povo do último domingo que fala justamente da carência de identificação do paranaense, comparado ao gaúcho, paulista.

Apesar de um fanático pelo meu time, reconheço que o melhor jeito de demonstrar o orgulho de ter nascido nessa terra não é só torcer por um clube de futebol daqui, tomar mate, comer barreado, andar na Litorina, é ter orgulho de pessoas como a Dra. Zilda e nunca desanimar em ser uma pessoa melhor, mais bem informada, sempre humilde, e nunca conformada. E apesar de ler diariamente as mesmas tragédias, trapaças e picaretices nos jornais, nunca adotar a conformidade como lema de vida.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Grego

O amor é um eterno grego.

Um tempo verbal da língua grega.

Os amores sempre são eternos.

O amor é aoristo.

O Mito do Homem

Algumas pessoas morrem, outras entram pra história. Algumas simplesmente partem dessa pra melhor, outras têm o (des)prazer de entrar pro Monte Olímpo da humanidade. É engraçado como as pessoas deixam de serem humanas pra se tornarem símbolos e esses ícones nem sempre são tão humanos quanto os de verdade.

O primeiro exemplo que me vem à cabeça é o de Ernesto "Che" Guevara, o médico argentino que foi peça fundamental na Revolução Cubana. Che deixou de ser de carne e osso faz tempo - não só porque morreu, mas porque sua imagem superou sua existência. Ninguém se importa com o que ele fez e foi de fato, a esquerda só pensa em divinizá-lo com libertador da tirania enquanto que a direita só se importa em satanizá-lo como assassino frio e calsulista.

E Che é só um exemplo, a nossa história tá recheada deles. Dois bem antagônicos do Século XX foram Adolf Hitler e Mahatma Ghandi, símbolos do mal e da violência e da bondade e da paz, respectivamente. Mas Hitler não tacava fogo em estrelas de Davi nos intervalos do colégio por simples sadismo nem Ghandi fazia greve fome desde criança pra conseguir o que queria. Que eles tiveram seus feitos em vida, disso não há dúvida, mas a imagem que permanece em nossas cabeças é só uma sombra das pessoas que eles realmente foram.

Nomes do bem e do mal, recentes e antigos. Desde o recente Osama Bin Laden, representação de todo o terrorismo, até Jesus Cristo, o homem - queiram ou não - mais influente do mundo. Esse é até mais intrigante, sua história ainda é nebulosa, mas o que interessa é o que ele representa. Nem nós, tupiniquins, escapamos da sina dos ícones. Desde a tentativa de tornar o índio Peri de Zé de Alencar em um cavaleiro europeu, do símbolo na luta negra, Zulu, da messianização de Tiradentes até o desenvolvimento para transformar o atual presidente em um heroi.

E continua valendo a teoria maquiaveliana de que não é preciso "ser" de fato, basta fazer com que os outros pensem que você é. É aí que apelo pra outro filósofo, Platão, que dizia que só conhecendo a essência das coisas é que as conhecemos de verdade e não podemos mais ser enganados, por quem quer que seja.