“Caim” – José Saramago
Deixe todos os seus preconceitos e convicções religiosas em casa quando for ler “Caim”, do único escritor em língua portuguesa a faturar um prêmio Nobel, José Saramago. Ele é ateu, comunista e tem 87 anos de idade, ou seja, ele não tem nada a perder nem algemas que o prendam, o que permite que ele escreva sem pudor sobre os tabus religiosos do mundo.
O livro traz uma interpretação mordaz do português sobre o Velho Testamento, começando pelo “pecado original” e passando pelas clássicas histórias de Abraão, Sodoma & Gomorra, Arca de Noé, e Caim & Abel, que é o ponto principal do livro. Nele, Caim mata Abel num ataque de raiva, mesmo amando seu irmão, e quando Deus – que no livro é vingativo, rancoroso, ególatra e mesquinho - desce do céu, Caim o convence que ele, além cúmplice, foi o verdadeiro mentor do crime contra Abel quando não aceitou, para simplesmente testar a fé de Caim, as suas oferendas.
Então Deus resolve fazer um acordo, Caim seria fadado a vagar sem rumo na companhia de um fiel burrico enquanto que Deus não permitiria que nada lhe ocorresse nessa jornada. Mas as viagens do jovem não são somente geográficas, são também históricas. Sem mais nem menos Caim vai do futuro ao passado em poucos passos - sem controle algum sobre o que acontece - testemunhando todas as atrocidades que o “Senhor” comete.
Pelo menos, Saramago rega tudo isso com uma ironia impecável típica dele – assim como a falta de pontuação nos diálogos, coisa típica dele também, mas que com o tempo se pega o jeito pra entender-, além também de algumas reflexões que são interessantes a certo ponto – já que, graças às características ditas no 1º parágrafo, a visão do Saramago não pode ser levada muito em conta em assuntos como este.
O livro também é erótico em certas partes, com direito a minúcias das carícias entre Caim e Lilith e tudo. Ah, Lilith no livro não é a primeira mulher de Adão, como na Bíblia – de acordo com o livro sagrado, Lilith foi criada por Deus da mesma forma que Adão, mas se rebelou por ter de ficar em baixo na conjunção carnal e por isso Deus teria criado Eva da costela de Adão; mas Lilith acabou ganhando um sentido luxurioso, quase demoníaco, durante os anos -, mas sim uma espécie de rainha de uma terra aparentemente atemporal chamada Nod.
Enfim, é uma boa leitura pra quem gosta de interpretações alternativas e debates teológicos tudo isso repleto de críticas ferrenhas e comentários ácidos do autor. Não vou indicar link algum porque esse livro é fresquinho, saiu em Outubro, e pode ser facilmente encontrado em qualquer livraria por aí.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Psicodelia, com Pitadas de Criatividade
O deserto da Califórnia é o palco perfeito para a criação de uma obra-prima do rock performático e teátrico. Juntando a paisagem vasta e deslumbrante com uma boa dose de psicotrópicos alucinógenos (leia-se LSD) temos uma viagem pela mente perturbada e criativa de um dos maiores poetas da música: Jim Morrison. Convido a todos a um passeio pela odisséia maior da grande banda The Doors, "The End".
A canção começa com a guitarra nos seduzindo e com a letra perturbadoramente e universalmente identificável, ou seja, qualquer pessoa consegue se enxergar em pelo menos um dos versos dessa poesia fantástica. Após o anúncio do fim de tudo e da necessidade de uma mão estranha numa terra estranha na primeira estrofe, somos hipnotizados pela levada leve de bateria acompanhada por um ritmo suave de teclado e eventuais choros da guitarra. E seguimos nesse ritmo que lembra, meio de longe, batidas indianas, durante a grande maioria da música, interrompendo esse balanço somente algumas viradas de bateria, acompanhando a letra e a proclamação dela pela voz magnífica de Morrison.
Chega um ponto de, literalmente, leitura de uma história, na qual uma criança expressa, para alguns, uma representação do complexo de Édipo, referência direta ao romance de Sófocles, para outros, uma alegoria ao fim da infância com o advento da liberdade. Enfim, interpretações são tantas que até o autor da letra diz que cada vez que ouvimos a canção, podemos interpretá-la de uma maneira diferente. Depois disso, somos carregados, sem perceber, quase, ao clímax da música, quando Jim nos chama para o fundo do "Blue Bus".
Aí, um turbilhão emocional entra em cena com uma ascensão de raiva na guitarra, um aumento no tempo do teclado e da bateria no fundo, junto com gritos do vocalista: "kill, kill, kill,...". Passada essa perturbação, entramos no verso inicial, novamente. Transcrevo aqui a estrofe final, com suas frases que, apesar de darem margem a uma múltipla interpretação, sempre me tocam quando as ouço: "This is the end/ Beautiful friend/ This is the end/ My only friend, the end/ It hurts to set you free/ But you'll never follow me/ The end of laughter and soft lies/ The end of nights we tried to die/ This is the end".
A canção é a última do primeiro álbum da banda. Álbum esse que contém, entre outras magníficas faixas, "Light My Fire", "Break on Through (To The Other Side)" e "Alabama Song (Whisky Bar)".
Outra coisa que gostaria de mencionar ainda nesse post, que não deixa de ter a ver com o grupo aqui homenageado, é que li uma matéria, na revista Galileu, de uma especialista (não lembro no que) que defende a legalização sem restrições do ácido lisérgico e outras drogas alucinógenas. Ela diz que cientistas e artistas se beneficiaram e podem se beneficiar ainda mais com o uso delas. Ela está realizando um estudo para provar isso. Lembrem-se que não há indícios de que alucinógenos viciem. Mas isso fica para outra conversa.
A canção começa com a guitarra nos seduzindo e com a letra perturbadoramente e universalmente identificável, ou seja, qualquer pessoa consegue se enxergar em pelo menos um dos versos dessa poesia fantástica. Após o anúncio do fim de tudo e da necessidade de uma mão estranha numa terra estranha na primeira estrofe, somos hipnotizados pela levada leve de bateria acompanhada por um ritmo suave de teclado e eventuais choros da guitarra. E seguimos nesse ritmo que lembra, meio de longe, batidas indianas, durante a grande maioria da música, interrompendo esse balanço somente algumas viradas de bateria, acompanhando a letra e a proclamação dela pela voz magnífica de Morrison.
Chega um ponto de, literalmente, leitura de uma história, na qual uma criança expressa, para alguns, uma representação do complexo de Édipo, referência direta ao romance de Sófocles, para outros, uma alegoria ao fim da infância com o advento da liberdade. Enfim, interpretações são tantas que até o autor da letra diz que cada vez que ouvimos a canção, podemos interpretá-la de uma maneira diferente. Depois disso, somos carregados, sem perceber, quase, ao clímax da música, quando Jim nos chama para o fundo do "Blue Bus".
Aí, um turbilhão emocional entra em cena com uma ascensão de raiva na guitarra, um aumento no tempo do teclado e da bateria no fundo, junto com gritos do vocalista: "kill, kill, kill,...". Passada essa perturbação, entramos no verso inicial, novamente. Transcrevo aqui a estrofe final, com suas frases que, apesar de darem margem a uma múltipla interpretação, sempre me tocam quando as ouço: "This is the end/ Beautiful friend/ This is the end/ My only friend, the end/ It hurts to set you free/ But you'll never follow me/ The end of laughter and soft lies/ The end of nights we tried to die/ This is the end".
A canção é a última do primeiro álbum da banda. Álbum esse que contém, entre outras magníficas faixas, "Light My Fire", "Break on Through (To The Other Side)" e "Alabama Song (Whisky Bar)".
Outra coisa que gostaria de mencionar ainda nesse post, que não deixa de ter a ver com o grupo aqui homenageado, é que li uma matéria, na revista Galileu, de uma especialista (não lembro no que) que defende a legalização sem restrições do ácido lisérgico e outras drogas alucinógenas. Ela diz que cientistas e artistas se beneficiaram e podem se beneficiar ainda mais com o uso delas. Ela está realizando um estudo para provar isso. Lembrem-se que não há indícios de que alucinógenos viciem. Mas isso fica para outra conversa.
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Um Filme Nada Elementar
“Sherlock Holmes” – Guy Ritchie (livros originais de Sir Arthur Connan Doyle)
É, dessa vez não vai ser uma dica pra você ir buscar na locadora perto de casa. O post de hoje se refere a um filme que estreou faz pouco tempo nos cinemas. Aliás, sempre que eu vir um bom filme no cinema procurarei comentar por aqui, assim não comentamos só dos clássicos e dos nossos filmes favoritos, mas também boas opções pro fim-de-semana.
Mas vamos falar do filme. Eu particularmente gostei bastante, e olha que fui com um olhar pessimista pra sessão, afinal, pra mim, a figura de Sherlock Holmes tinha um ar de superioridade, de gentleman. Um “quê” de inatingível, que não precisava nem suar pra resolver seus problemas – bem como a figura do James Bond, principalmente na pele do Sean Connery -, mas o Sherlock - interpretado por Robert Downey Jr., o mesmo do Homem de Ferro - que nos é apresentado é um verdadeiro dândi, amante das artes marciais, da música e demasiadamente irresponsável, mas sem nunca perder o raciocínio preciso e o poder de observação – e claro, a carismática arrogância – que lhe são característicos.
O que pode assustar um pouco é o Watson - atuação de Jude Law - que se apresenta como figura indispensável para a sobrevivência de Holmes. Watson no filme não é um mero aprendiz dos passos do detetive, mas sim seus braços e pernas direitos e esquerdos. Tanto que Watson, que no filme está noivo e vai se mudar da Baker St. 221b, é tentado de todas as formas possíveis por Holmes para desistir da ideia de matrimônio. Também é interessante levar em conta que o filme se passa numa transição entre os anos dourados da dupla e de sua separação – afinal as histórias de Sherlock são contadas por Watson e suas anotações do tempo que convivia com seu colega – mostrando um Watson com uma argúcia e um poder de dedução admiráveis.
Para os fãs da série, temos alguns personagens marcantes como Irene Adler - a golpista com quem Holmes tem uma certa relação afetiva - e Professor Moriarty – arqui-inimigo de Sherlock, que no filme é somente um coadjuvante, provavelmente está sendo guardado para uma continuação. Em compensação o chapéu de caçador e a capa xadrez, os ternos Tweeds e o clássico cachimbo curvo não estão presentes, já que esse novo Sherlock tem um ar mais boêmio do que aristocrata.
Mas mesmo tendo o pretexto da memorável história de Sherlock Holmes, ainda é um blockbuster de ação, com direito a pancadarias e efeitos especiais. Porém, a capacidade cognitiva de Holmes está claramente presente - o que mostra uma faceta mais psicológica - indo desde suas incríveis deduções até minuciosos planos de ataques – executados com perfeição nos instantes seguintes à linha de raciocínio.
Enfim, continua sendo um filme recomendável, até porque essa visão da saga de Connan Doyle é bastante interessante – e iconoclasta - pra quem estava costumado com aquele Sherlock antiquado eternizado por Robert Stephens nos anos setenta.
É, dessa vez não vai ser uma dica pra você ir buscar na locadora perto de casa. O post de hoje se refere a um filme que estreou faz pouco tempo nos cinemas. Aliás, sempre que eu vir um bom filme no cinema procurarei comentar por aqui, assim não comentamos só dos clássicos e dos nossos filmes favoritos, mas também boas opções pro fim-de-semana.
Mas vamos falar do filme. Eu particularmente gostei bastante, e olha que fui com um olhar pessimista pra sessão, afinal, pra mim, a figura de Sherlock Holmes tinha um ar de superioridade, de gentleman. Um “quê” de inatingível, que não precisava nem suar pra resolver seus problemas – bem como a figura do James Bond, principalmente na pele do Sean Connery -, mas o Sherlock - interpretado por Robert Downey Jr., o mesmo do Homem de Ferro - que nos é apresentado é um verdadeiro dândi, amante das artes marciais, da música e demasiadamente irresponsável, mas sem nunca perder o raciocínio preciso e o poder de observação – e claro, a carismática arrogância – que lhe são característicos.
O que pode assustar um pouco é o Watson - atuação de Jude Law - que se apresenta como figura indispensável para a sobrevivência de Holmes. Watson no filme não é um mero aprendiz dos passos do detetive, mas sim seus braços e pernas direitos e esquerdos. Tanto que Watson, que no filme está noivo e vai se mudar da Baker St. 221b, é tentado de todas as formas possíveis por Holmes para desistir da ideia de matrimônio. Também é interessante levar em conta que o filme se passa numa transição entre os anos dourados da dupla e de sua separação – afinal as histórias de Sherlock são contadas por Watson e suas anotações do tempo que convivia com seu colega – mostrando um Watson com uma argúcia e um poder de dedução admiráveis.
Para os fãs da série, temos alguns personagens marcantes como Irene Adler - a golpista com quem Holmes tem uma certa relação afetiva - e Professor Moriarty – arqui-inimigo de Sherlock, que no filme é somente um coadjuvante, provavelmente está sendo guardado para uma continuação. Em compensação o chapéu de caçador e a capa xadrez, os ternos Tweeds e o clássico cachimbo curvo não estão presentes, já que esse novo Sherlock tem um ar mais boêmio do que aristocrata.
Mas mesmo tendo o pretexto da memorável história de Sherlock Holmes, ainda é um blockbuster de ação, com direito a pancadarias e efeitos especiais. Porém, a capacidade cognitiva de Holmes está claramente presente - o que mostra uma faceta mais psicológica - indo desde suas incríveis deduções até minuciosos planos de ataques – executados com perfeição nos instantes seguintes à linha de raciocínio.
Enfim, continua sendo um filme recomendável, até porque essa visão da saga de Connan Doyle é bastante interessante – e iconoclasta - pra quem estava costumado com aquele Sherlock antiquado eternizado por Robert Stephens nos anos setenta.
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domingo, 10 de janeiro de 2010
Potpourri de Veraneio
Lá Estava eu, vendo TV na praia. Como quase ninguém tem TV a cabo para assistir de vez em nunca (haha, menos o Jamil), após passar ISA Tkm, cheguei num canal que tava passando Pica- Pau. Quando nós somos pequenos, somos muito mais abertos ao mundo: as coisas são novas, não temos um senso crítico desenvolto, capaz de censurar cada palavra dita ou valor incutido, não temos preconceitos formados. Mas com o tempo, isso passa. Adquirimos novas pautas comportamentais e morais. Eu, após muitos livros, anos de aulas, professores conservadores, mestres liberais, revistas de esquerda, artigos de direita, seminários marxistas, esporros de amigos, lições que os pais sempre pregam, comportamentos reiterados, passei a cristalizar um padrão do que é certo e do que é errado. Todos nós fizemos isso.
Imagine então ver um episódio de Pica-Pau hoje em dia, uma loucura! Nos tornamos mais rígidios e exigentes, além de infectados por essa lógica toda que a vida nos lega diariamente. essa carga cultural de cada um pode ser uma coisa ruim. Olhe no direito, por exemplo. Os formandos saem da faculdade com a cabeça feita, com a mesma lógica manjada de jurista, a mesma forma de pensar, e isso é quase inevitável. Por isso, em certas ocasições, a ignorância, a inocência, são muito bem-vindas. Os calouros, voltando ao exemplo, têm respostas muito mais ricas e não manchadas, falam o que pensam, e não o que leram e ouviram. Nosso cérebro é mais plástico quando somos crianças, livre de toda essa influência.
Aproveitando a brecha, gostaria de meter o pau nos desenhos americanos. Aonde estão os valores? Eles são mercenários, completamente vendidos e, em sua maioria, repletos de piadinhas e ideiais sociais já reiterados na cabeça do mundo todo: o american way of life. Olhe o Pica-Pau, o cara roubava comida dos outros animais durante o verão e no inverno passava fome! Aí, no verão seguinte, quando o povo ajudava ele a recuperar-se da fome e do frio, ele ia lá e comia a comida que os outros estava estocando, DE NOVO! E pior, saia impune. Animês, tão criticados hoje, taxados como esquisitice, mostram valores milenares: a família, a honra, a honestidade, a sabedoria, o respeito; mesmo cheios de lutas, mortes, traições...
Isso me faz lembrar das novas cartilhas recomendadas pelo governo para as escolas públicas, cheias de contos-de-fada reformulados, politicamente corretos. Como se as crianças não precisassem ter contato com os eventuais acontecimentos ruins, a escola deveria preparar para a vida, prezar a íntegra do original, a cultura alí contida. Como iria prepará-las para as atrocidades do mundo se lá dentro tudo é cor-de-rosa? Não digo que devemos pregar a violência, a depravação, imoralidades mil na escola, haha, nada de brinquedos eróticos para as crianças, como Huxley pensava em "Admirável Mundo Novo".
Um pouquinho de realidade cariria bem. Aí que volto para os desenhos japoneses: são criativos, engraçados de uma maneira saudável, e sempre pregam bons valores. Pena que não são muito valorizados aqui. Até adultos, com um senso crítico desenvolvido, conseguem ter um tempinho agradável em frente à TV, vendo Samurai X, Dragon Ball Z, Sakura Card Captor, para só manter somente entre os famosos.
Imagine então ver um episódio de Pica-Pau hoje em dia, uma loucura! Nos tornamos mais rígidios e exigentes, além de infectados por essa lógica toda que a vida nos lega diariamente. essa carga cultural de cada um pode ser uma coisa ruim. Olhe no direito, por exemplo. Os formandos saem da faculdade com a cabeça feita, com a mesma lógica manjada de jurista, a mesma forma de pensar, e isso é quase inevitável. Por isso, em certas ocasições, a ignorância, a inocência, são muito bem-vindas. Os calouros, voltando ao exemplo, têm respostas muito mais ricas e não manchadas, falam o que pensam, e não o que leram e ouviram. Nosso cérebro é mais plástico quando somos crianças, livre de toda essa influência.
Aproveitando a brecha, gostaria de meter o pau nos desenhos americanos. Aonde estão os valores? Eles são mercenários, completamente vendidos e, em sua maioria, repletos de piadinhas e ideiais sociais já reiterados na cabeça do mundo todo: o american way of life. Olhe o Pica-Pau, o cara roubava comida dos outros animais durante o verão e no inverno passava fome! Aí, no verão seguinte, quando o povo ajudava ele a recuperar-se da fome e do frio, ele ia lá e comia a comida que os outros estava estocando, DE NOVO! E pior, saia impune. Animês, tão criticados hoje, taxados como esquisitice, mostram valores milenares: a família, a honra, a honestidade, a sabedoria, o respeito; mesmo cheios de lutas, mortes, traições...
Isso me faz lembrar das novas cartilhas recomendadas pelo governo para as escolas públicas, cheias de contos-de-fada reformulados, politicamente corretos. Como se as crianças não precisassem ter contato com os eventuais acontecimentos ruins, a escola deveria preparar para a vida, prezar a íntegra do original, a cultura alí contida. Como iria prepará-las para as atrocidades do mundo se lá dentro tudo é cor-de-rosa? Não digo que devemos pregar a violência, a depravação, imoralidades mil na escola, haha, nada de brinquedos eróticos para as crianças, como Huxley pensava em "Admirável Mundo Novo".
Um pouquinho de realidade cariria bem. Aí que volto para os desenhos japoneses: são criativos, engraçados de uma maneira saudável, e sempre pregam bons valores. Pena que não são muito valorizados aqui. Até adultos, com um senso crítico desenvolvido, conseguem ter um tempinho agradável em frente à TV, vendo Samurai X, Dragon Ball Z, Sakura Card Captor, para só manter somente entre os famosos.
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sábado, 9 de janeiro de 2010
World Wild Web
A partir do título - emprestado do Allan, aliás - pode-se deduzir sobre o que vim criticar nesse post. Mas, se bem que não é exatamente a Web quem tem culpa no assunto. Que assunto? Vamos à discussão.
Quando se tem uma dúvida, onde procurar primeiro? Obviamente que na internet. Nada de mal até aqui, afinal, ela veio para nos ajudar com a sua agilidade e fartura de informações, que facilmente temos acesso. Porém, esse "agrado", ou "mimo", se preferirem, acabou por estragar muitas pessoas. "Como?", vocês se perguntam. Explico.
Numa discussão (calma, não um quebra-pau) no Twitter (sim, na internet, que não deixa de ser uma boa ferramenta) com minha cunhada Ronise e com o @RuiBittencourt chegamos a uma conclusão: ninguém se preocupa mais com a fonte da informação, contanto que essa venha inteirinha, empacotada e pronta para ser usada. Citações sem-nexo e de fontes absurdas estão se tornando cada vez mais comuns. Isso quando há uma fonte. Nunca mais vamos numa enciclopédia verdadeira (dá-lhe Wikipédia, que de enciclopédia, só tem os números, porque fontes e autores...) ou fuçamos nas bibliotecas pública ou das Universidades por aí.
O pior de tudo isso é que quem sofre mais com essa febre de "excesso" de informação é o estudante. No ensino fundamental e no médio até passa batida a falta de explicitação da fonte. Agora, coloque uma foto num slide de uma apresentação na faculdade sem fonte e veja o rombo que se cria no seu boletim. É claro que há professores e professores. Mas esse tipo de erro não passa batido numa banca de monografia. Jornalistas também têm seu trabalho comprometido com a falta de fontes confiáveis. É só ver o caso da Ronise, que teve que fazer uma entrevista por e-mail e ainda obteve como resposta "pesquise no Google", numa das questões.
Agora podemos apontar o dedo pra quem realmente tem a culpa disso tudo: nós. Sim, eu, você e eles. Todas as pessoas que dizem que está tudo bem em não pesquisar direito, em colocar como fonte "um site qualquer, às tantas horas do tal dia" (claro, quando o site é algo não-oficial ou meio obscuro).
Solução para isso tudo? Não é possível retirarmos agora de nossa cultura o Google como meio de pesquisa mais utilizado, mas podemos, sim, fazer um pouco de esforço. Atualizar o cadastro na biblioteca do bairro e mostrar aos mais jovens que realmente é melhor sofrer um pouco mais para obter um resultado mais satisfatório.
Quando se tem uma dúvida, onde procurar primeiro? Obviamente que na internet. Nada de mal até aqui, afinal, ela veio para nos ajudar com a sua agilidade e fartura de informações, que facilmente temos acesso. Porém, esse "agrado", ou "mimo", se preferirem, acabou por estragar muitas pessoas. "Como?", vocês se perguntam. Explico.
Numa discussão (calma, não um quebra-pau) no Twitter (sim, na internet, que não deixa de ser uma boa ferramenta) com minha cunhada Ronise e com o @RuiBittencourt chegamos a uma conclusão: ninguém se preocupa mais com a fonte da informação, contanto que essa venha inteirinha, empacotada e pronta para ser usada. Citações sem-nexo e de fontes absurdas estão se tornando cada vez mais comuns. Isso quando há uma fonte. Nunca mais vamos numa enciclopédia verdadeira (dá-lhe Wikipédia, que de enciclopédia, só tem os números, porque fontes e autores...) ou fuçamos nas bibliotecas pública ou das Universidades por aí.
O pior de tudo isso é que quem sofre mais com essa febre de "excesso" de informação é o estudante. No ensino fundamental e no médio até passa batida a falta de explicitação da fonte. Agora, coloque uma foto num slide de uma apresentação na faculdade sem fonte e veja o rombo que se cria no seu boletim. É claro que há professores e professores. Mas esse tipo de erro não passa batido numa banca de monografia. Jornalistas também têm seu trabalho comprometido com a falta de fontes confiáveis. É só ver o caso da Ronise, que teve que fazer uma entrevista por e-mail e ainda obteve como resposta "pesquise no Google", numa das questões.
Agora podemos apontar o dedo pra quem realmente tem a culpa disso tudo: nós. Sim, eu, você e eles. Todas as pessoas que dizem que está tudo bem em não pesquisar direito, em colocar como fonte "um site qualquer, às tantas horas do tal dia" (claro, quando o site é algo não-oficial ou meio obscuro).
Solução para isso tudo? Não é possível retirarmos agora de nossa cultura o Google como meio de pesquisa mais utilizado, mas podemos, sim, fazer um pouco de esforço. Atualizar o cadastro na biblioteca do bairro e mostrar aos mais jovens que realmente é melhor sofrer um pouco mais para obter um resultado mais satisfatório.
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
CaFÉ com LEIte
Escrever sobre religião nunca é aconselhável, é inevitável encontrar críticas sob qualquer afirmação que cercar seu texto. Isso acontece porque você lida com um campo onde argumentos lógicos, concretos, não bastam. Você lida com as emoções humanas. Porém, há um consenso que é o respeito a qualquer devoção, isso é assegurado pela Constituição, pelo senso comum, isso faz parte da liberdade moderna.
O que me instigou a escrever sobre a linha tênue, entre Fé e Lei, foi um fato que me chamou a atenção já faz algum tempo: a venda de um diploma de bom fiel, assinado pelo “inassinável” Jesus Cristo, entregue por uma igreja evangélica a um fiel que “doou” cerca de 30 mil reais à igreja que fazia parte.
Para nós, isso não gera indignação apenas do pastor “boa índole” que entregou o diploma, mas também do fiel que aceitou o diploma. Que punição sanaria o tipo de crime que foi isso, ou melhor, que tipo de crime seria isso? Creio que não seja apenas estelionato, pois se trata de manipular uma área vulnerável de qualquer ser humano, a parte dos sentimentos. A religião, qualquer uma delas, traz conforto aos seus fiéis, aproxima o indivíduo à divindade. Porém, o problema inicia quando uma instituição tenta passar ao fiel que a instituição e a divindade são a mesma figura. Assim, a instituição deixa de ser um intermediário e torna-se autoridade o suficiente para exigir o que for do fiel.
A grande particularidade, o que deve ser levado mais em conta ao analisar esses casos, é que não basta prova concreta, contrato, RG, CPF, título de eleitor, para determinar crença, eu creio e pronto. Esse fervor, essa certeza da crença, são manipulados por muitos pastores (em sua esmagadora minoria, claro) que distorcem a imagem do amor a Deus. |Você precisa provar publicamente esse amor, “Deus não aceita esmolas”, e por aí vai. Só que Deus não tem conta corrente, quem recebe é a instituição. E o ato de crer é incomensurável, é incomparável, ainda mais quando compara-se coisas materiais aos sentimentos.
A solução é dá quem quer, porém, tem limites de manipulação, como é o caso do diploma. Eu ainda insisto na solução da educação. Com ela, você perde seus julgamentos intransigentes, você perde os extremismos. É mais fácil perceber o que é amor a Deus e o que é exploração. Tudo parte do sentir-se à vontade num lugar, sentir-se bem, fortalecer-se, pois está para nascer melhor remédio que fé e boa vontade.
O que me instigou a escrever sobre a linha tênue, entre Fé e Lei, foi um fato que me chamou a atenção já faz algum tempo: a venda de um diploma de bom fiel, assinado pelo “inassinável” Jesus Cristo, entregue por uma igreja evangélica a um fiel que “doou” cerca de 30 mil reais à igreja que fazia parte.
Para nós, isso não gera indignação apenas do pastor “boa índole” que entregou o diploma, mas também do fiel que aceitou o diploma. Que punição sanaria o tipo de crime que foi isso, ou melhor, que tipo de crime seria isso? Creio que não seja apenas estelionato, pois se trata de manipular uma área vulnerável de qualquer ser humano, a parte dos sentimentos. A religião, qualquer uma delas, traz conforto aos seus fiéis, aproxima o indivíduo à divindade. Porém, o problema inicia quando uma instituição tenta passar ao fiel que a instituição e a divindade são a mesma figura. Assim, a instituição deixa de ser um intermediário e torna-se autoridade o suficiente para exigir o que for do fiel.
A grande particularidade, o que deve ser levado mais em conta ao analisar esses casos, é que não basta prova concreta, contrato, RG, CPF, título de eleitor, para determinar crença, eu creio e pronto. Esse fervor, essa certeza da crença, são manipulados por muitos pastores (em sua esmagadora minoria, claro) que distorcem a imagem do amor a Deus. |Você precisa provar publicamente esse amor, “Deus não aceita esmolas”, e por aí vai. Só que Deus não tem conta corrente, quem recebe é a instituição. E o ato de crer é incomensurável, é incomparável, ainda mais quando compara-se coisas materiais aos sentimentos.
A solução é dá quem quer, porém, tem limites de manipulação, como é o caso do diploma. Eu ainda insisto na solução da educação. Com ela, você perde seus julgamentos intransigentes, você perde os extremismos. É mais fácil perceber o que é amor a Deus e o que é exploração. Tudo parte do sentir-se à vontade num lugar, sentir-se bem, fortalecer-se, pois está para nascer melhor remédio que fé e boa vontade.
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Animalesco
Estava voltando de uma prova em São Paulo. O local era o metrô Barra Funda. O dia, sexta-feira. Acabara de chover, e lá fui eu em minha aventura. Tinha que voltar para a casa de meus tios. Eram 18:14 e estava adentrando aquela floresta em que o barulho e o movimento não cessavam.
Procurei por um tempo a direção que deveria tomar. A seta indicava o destino. Desço ao subterrâneo onde encontro montes e montes de meus semelhantes, pessoas. Já haviam me dito sobre a quantidade em que se juntam e o perigo que é se aventurar entre eles, mas até esse dia não tive nenhuma noção do que aquilo era na realidade.
Funcionava como algo já programado na cabeça de todos. O som do freio do trem implicava num levantamento de cabeças e num empurra-empurra imediato. No meio de tantos a sensação de sufoco é inevitável. O clima de pressa e competitividade para conseguir entrar na máquina era pesado. Por azar, em minha frente se encontravam três velhos sábios e, posso dizer, extremamente fortes. Enquanto todos empurravam um ao outro, lutando para entrar na locomotiva, aqueles velhos entravam um por metrô, e preferiam esperar o próximo. Aguentavam de forma surpreendente ,aos meus olhos, todos que os empurravam impiedosamente.
Obrigado a esperar a passagem de três trens, finalmente consegui meu lugar em um. Literalmente espremido, observava como os outros ainda conseguiam entrar dentro do vagão quando o espaço já era mínimo. Existe habilidade e técnica em tudo! Chegando à estação que seria minha "ponte", me encontrava prensado em um lado do trem. Vendo a estação chegar, torcia para que a porta na qual estava encostado abrisse para que pudesse sair.
Agradeço à famosa "Lei de Murphy" pela porta oposta ter aberto. Em desespero para sair daquele clima pesado e fedido com todas as pessoas cansadas, perfurei a mata de carne amontoada na minha frente. Era engraçado que na minha frente via um sendo levado, girando, pela multidão. Uma cena hilária tanto para mim quanto para ele. Ainda bem que o humano ri da própria desgraça.
Podendo respirar melhor agora, saía da Sé na direção do Jabaquara em um ritmo muito mais calmo. Sinto saudades da minha cidade.
Procurei por um tempo a direção que deveria tomar. A seta indicava o destino. Desço ao subterrâneo onde encontro montes e montes de meus semelhantes, pessoas. Já haviam me dito sobre a quantidade em que se juntam e o perigo que é se aventurar entre eles, mas até esse dia não tive nenhuma noção do que aquilo era na realidade.
Funcionava como algo já programado na cabeça de todos. O som do freio do trem implicava num levantamento de cabeças e num empurra-empurra imediato. No meio de tantos a sensação de sufoco é inevitável. O clima de pressa e competitividade para conseguir entrar na máquina era pesado. Por azar, em minha frente se encontravam três velhos sábios e, posso dizer, extremamente fortes. Enquanto todos empurravam um ao outro, lutando para entrar na locomotiva, aqueles velhos entravam um por metrô, e preferiam esperar o próximo. Aguentavam de forma surpreendente ,aos meus olhos, todos que os empurravam impiedosamente.
Obrigado a esperar a passagem de três trens, finalmente consegui meu lugar em um. Literalmente espremido, observava como os outros ainda conseguiam entrar dentro do vagão quando o espaço já era mínimo. Existe habilidade e técnica em tudo! Chegando à estação que seria minha "ponte", me encontrava prensado em um lado do trem. Vendo a estação chegar, torcia para que a porta na qual estava encostado abrisse para que pudesse sair.
Agradeço à famosa "Lei de Murphy" pela porta oposta ter aberto. Em desespero para sair daquele clima pesado e fedido com todas as pessoas cansadas, perfurei a mata de carne amontoada na minha frente. Era engraçado que na minha frente via um sendo levado, girando, pela multidão. Uma cena hilária tanto para mim quanto para ele. Ainda bem que o humano ri da própria desgraça.
Podendo respirar melhor agora, saía da Sé na direção do Jabaquara em um ritmo muito mais calmo. Sinto saudades da minha cidade.
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Música de Vídeo-Game
Não, não é sobre os clássicos temas de Mário ou Zelda que vim falar hoje. “vídeo-game”, nesse sentido, beira o tom pejorativo. Eu vou falar é de “música eletrônica”.
Os DJs que me perdoem, mas não vejo nada de “música” na “música eletrônica”. O porquê é simples. Os sons não são de verdade! São meros ruídos eletrônicos que simulam o som dos instrumentos de verdade. Toda música eletrônica tem uma “bateria eletrônica”, um “baixo eletrônico” e um som mais agudo, algo como uma “guitarra eletrônica”. Você nesse momento deve estar pensando “e baixo e guitarra não são eletrônicos já?”. Então, não são. Eles são elétricos, o que é algo totalmente diferente, acredite.
Explico. A diferença é simples e basta entender como funciona o instrumento pra perceber. Pego como exemplo a guitarra. Ela tem o corpo de madeira, que é a parte mecânica, e os captadores que convertem o som das cordas em ondas que vão pro cabo e pro amplificador de som, que é a parte eletrônica. Porém, a onda captada pelo captador é transferida por meio da madeira, o que faz com que guitarras tenham sons diferentes dependendo do tipo de madeira que nelas é empregado. Ou seja, apesar de ser algo elétrico, a parte mecânica é essencial para o processo. Isso faz com que o som da guitarra seja mais “real” que os “bips” eletrônicos.O mesmo ocorre com a bateria e com o baixo.
Qualquer música eletrônica pode ser feita por instrumentos reais. E é, dependendo da pessoa. Lembro que fui no Planeta Atlântida do ano passado e o Marcelo D2 – que nem é um artista que eu admire tanto – me chamou a atenção porque tinha na banda de apoio um baixista, um guitarrista, um baterista e um DJ. Mas o DJ não tava ali só pra botar o som, ele botava os samplers, que é a parte legal de ter um DJ na banda. Toda a batida – extremamente necessária pro hip hop que o D2 faz e que normalmente é feita por som de computador – era real, o que dava um ar muito mais vivo à música.
Claro que tem cara por aí que bota instrumento no meio das batidas. Não sou muito conhecedor, mas amigos meus me falam que um tal de Skazi toca guitarra nos “shows” – é, entre aspas mesmo, não considero DJs músicos e, pra mim, não se discoteca em show, se discoteca em festa – o que já é algum diferencial.
Mas não tem jeito, não consigo ver a “música eletrônica” senão como um conjunto de sons que se repetem constantemente pra se dançar - e nesse sentido ela ótima; pra dançar é perfeita, mas não entendo como conseguem ficar ouvindo e curtindo esse som. E também acho engraçado todas as nomenclaturas que criam pra esses sons que me parecem tão iguais. “Ah, ele faz um pop-trance-lounge com tendências prog-psy”, sabe? Mas enfim, se alguém tiver paciência pra me convencer de que estou errado, estou aberto pra discussões. Por enquanto não passa de “música de vídeo-game”.
Os DJs que me perdoem, mas não vejo nada de “música” na “música eletrônica”. O porquê é simples. Os sons não são de verdade! São meros ruídos eletrônicos que simulam o som dos instrumentos de verdade. Toda música eletrônica tem uma “bateria eletrônica”, um “baixo eletrônico” e um som mais agudo, algo como uma “guitarra eletrônica”. Você nesse momento deve estar pensando “e baixo e guitarra não são eletrônicos já?”. Então, não são. Eles são elétricos, o que é algo totalmente diferente, acredite.
Explico. A diferença é simples e basta entender como funciona o instrumento pra perceber. Pego como exemplo a guitarra. Ela tem o corpo de madeira, que é a parte mecânica, e os captadores que convertem o som das cordas em ondas que vão pro cabo e pro amplificador de som, que é a parte eletrônica. Porém, a onda captada pelo captador é transferida por meio da madeira, o que faz com que guitarras tenham sons diferentes dependendo do tipo de madeira que nelas é empregado. Ou seja, apesar de ser algo elétrico, a parte mecânica é essencial para o processo. Isso faz com que o som da guitarra seja mais “real” que os “bips” eletrônicos.O mesmo ocorre com a bateria e com o baixo.
Qualquer música eletrônica pode ser feita por instrumentos reais. E é, dependendo da pessoa. Lembro que fui no Planeta Atlântida do ano passado e o Marcelo D2 – que nem é um artista que eu admire tanto – me chamou a atenção porque tinha na banda de apoio um baixista, um guitarrista, um baterista e um DJ. Mas o DJ não tava ali só pra botar o som, ele botava os samplers, que é a parte legal de ter um DJ na banda. Toda a batida – extremamente necessária pro hip hop que o D2 faz e que normalmente é feita por som de computador – era real, o que dava um ar muito mais vivo à música.
Claro que tem cara por aí que bota instrumento no meio das batidas. Não sou muito conhecedor, mas amigos meus me falam que um tal de Skazi toca guitarra nos “shows” – é, entre aspas mesmo, não considero DJs músicos e, pra mim, não se discoteca em show, se discoteca em festa – o que já é algum diferencial.
Mas não tem jeito, não consigo ver a “música eletrônica” senão como um conjunto de sons que se repetem constantemente pra se dançar - e nesse sentido ela ótima; pra dançar é perfeita, mas não entendo como conseguem ficar ouvindo e curtindo esse som. E também acho engraçado todas as nomenclaturas que criam pra esses sons que me parecem tão iguais. “Ah, ele faz um pop-trance-lounge com tendências prog-psy”, sabe? Mas enfim, se alguém tiver paciência pra me convencer de que estou errado, estou aberto pra discussões. Por enquanto não passa de “música de vídeo-game”.
Categoria:
divagações,
música
Férias Para Quem?
O Sempremdm e seus autores estão de férias? Nada disso! Quebrando a tradição do Allan de escrever posts comemorativos, aqui vou eu, me arriscando em terras desconhecidas.
Mas nem preciso me esforçar muito. Esse post é pra dizer que estamos voltando à ativa! Posts serão postados (sério?) regularmente a partir de hoje!
Só que não basta apenas "escrevermos para as paredes", precisamos de ajuda de todos! Seja comentando, divulgando, ou apenas lendo e se indignando, participem e façam parte desse Blog que, apesar do nome, sempre tem coisas novas!
Outra coisa: acompanhem também pelo Twitter do Blog as atualizações!
Sem mais, que venham os posts!
Mas nem preciso me esforçar muito. Esse post é pra dizer que estamos voltando à ativa! Posts serão postados (sério?) regularmente a partir de hoje!
Só que não basta apenas "escrevermos para as paredes", precisamos de ajuda de todos! Seja comentando, divulgando, ou apenas lendo e se indignando, participem e façam parte desse Blog que, apesar do nome, sempre tem coisas novas!
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Sem mais, que venham os posts!
Categoria:
comemorações
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Um Brinde do Sempremdm!
Aos nossos leitores, que vêm nos acompanhando, fazendo o nosso blog ser o que é e que nos permitiram chegar até aqui:
Nós da equipe do Sempre Mais do Mesmo desejamos a vocês um Feliz Ano Novo com ótimas festas e felicidades pela frente!
Provavelmente já em Janeiro estaremos de volta à ativa. Fiquem atentos para os avisos no twitter do blog (@Sempremdm) e aguardem!
Nós da equipe do Sempre Mais do Mesmo desejamos a vocês um Feliz Ano Novo com ótimas festas e felicidades pela frente!
Provavelmente já em Janeiro estaremos de volta à ativa. Fiquem atentos para os avisos no twitter do blog (@Sempremdm) e aguardem!
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