domingo, 18 de outubro de 2009

Coesão sem Coerência

Que sejam malditas
A métrica regular
E as rimas ricas
Que me fazem empacar.

Com ênclises nunca começo,
Afinal, causam-me asco.
E mesóclises em excesso
Precedem um verdadeiro fiasco.

Versos livres são o que há.
Sem métricas a preencher,
Nada supera sua beleza.

Mas fazer versos sem cessar,
Pela simples paixão de escrever,
Exige-me vera fineza.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Saúde!

Como o brasileiro tem memória curta, não? Olha a tal da gripe suína, por exemplo. Alguém ainda comenta sobre isso? Se bobear essa “pandemia” passou tão rápido que nem deu tempo dos baianos largarem suas redes pra comprar o álcool gel.

Não estou menosprezando a gripe – meus pêsames a quem perdeu parentes e conhecidos graças à doença – só acho engraçado como ninguém mais comenta dela! O vírus continua por aí, como sempre esteve – na verdade ele tá aí há mais de 80 anos, por baixo, afinal, é sempre bom lembrar que ele é uma mutação do H1N1, o vírus da gripe espanhola. Está por aí como o da AIDS, o da gripe comum, o da gripe aviária, e tantos outros. Mas hoje em dia não se vê mais pessoas evitando shopping centers, cinemas, shows, restaurantes e outras aglomerações. Lembro-me que tive a oportunidade de passar por Guarulhos no auge da gripe e rir de todas aquelas pessoas com máscaras – que mais atrapalham do que protegem, que fique claro – sendo que hoje em dia ninguém mais ousa sair com aquilo nas ruas.

Mas acho que isso tudo teve um lado bom. Eu, pelo menos, lavo as mãos com mais freqüência do que no período pré-gripe. A higiene, em si, teve melhorias graças a essa loucura toda. Creio também que as empresas de máscaras cirúrgicas e álcool gel nunca obtiveram tanto lucro em todas suas vidas. Ah, claro, já ia me esquecendo dos jornais que tiveram notícia por mais de um mês tendo todo dia novos números da gripe, poupando os jornalistas de matérias sobre a crise no Senado, que corria solta naquela época.

O que eu mais adorei sobre isso tudo foram as teorias conspiratórias. A Roche que criou o vírus por ser a única a produzir o tamiflu, ambientalistas querendo diminuir o consumo de carne suína, técnicas obscuras de redução populacional, etc. Nem as empresas de álcool gel escaparam das conspirações! Teve até um vídeo em espanhol sobre uma dessas teorias que bombou na internet por aquele período.

Hoje em dia, as únicas coisas que me fazem lembrar que ela ainda existe são os cartazes de métodos de prevenção espalhados pelo colégio, a garrafa de água que eu tive que começar a carregar por terem fechado os bebedouros e a janela da sala que tem que permanecer aberta, o que é péssimo em dias quentes já que o ar-condicionado não consegue circular.

Enfim, como já dizia o poeta, “felicidade não passa de boa saúde e péssima memória”. Talvez seja por isso que o nosso povo é tão alegre.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Divagar, Sempre!

Ah, a arte de vagar...

Não! Arte é divagar.

E A vida? Devagar...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Sujo e Mal Lavado Se Abraçando, Enquanto Isso, Bailamos Para Pagar os Impostos

Semana passada, olhei a capa da Gazeta do Povo e vi uma coisa muito bela, um gesto de aliança política para uma causa nobre: o “salário duplex”. Michel Temer e José Sarney de braços dados para o mais novo projeto do Senado, esse projeto visa burlar a simetria de salários adotados pela Constituição. Porém, o novo salário já está sendo aplicado, só não está regulamentado. O Don Corleone do Senado ganha 52 mil reais por mês, enquanto o maior salário, estabelecido pela Constituição, é de 25,7 mil reais, pago aos ministros do Supremo. Como é possível um funcionário público estabelecer o seu próprio salário? Ainda fosse um funcionário público trabalhador e honesto, mas estamos falando do descredenciado Senado. O salário de um ministro da Suprema Corte Inglesa não é determinado, pode-se sacar o quanto quiser. É nesse momento que lamento a descrença e a banalidade que se tornou a democracia brasileira. Tem solução, mas que dá um desânimo, dá...

Temer disse:
“Sou (beneficiado) e certamente mais 5, 10, 15 mil servidores no país também são. Vejo que vocês deram especial preferência à Câmara e ao Senado, mas esqueceram de todas as demais instituições’’.

Você, Temer, simplesmente esqueceu-se da Constituição. Se valesse o dinheiro que pagamos, até daria para conversar...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

E o Nobel Vai Para...

Esse ano o Prêmio Nobel teve diversas surpresas. O Nobel da Paz foi destinado a um “prometedor” e não a um “cumpridor”, o Nobel de Economia teve pela primeira vez uma mulher como vencedora, além dela, houve mais 4 vencedoras, mulheres. Um recorde.

Nos prêmios científicos, o de medicina foi divido igualmente entre Elizabeth H. Blackburn, Carol W. Greider e Jack W. Szostak pela descoberta de como os cromossomos são protegidos pelos telômeros e pela enzima telomerase, importantíssimos para a pesquisa do câncer e do envelhecimento. O de física foi destinado a duas pesquisas: uma feita por Charles K. Kao, responsável pelos avanços na comunicação graças à transmissão de luz por fibras óticas, que resultou num mega-avanço nas telecomunicações, que ficou com metade do prêmio, e outra realizada por Willian S. Boyle e George E. Smith, pela invenção do circuito semi-condutor (sensor CCD) que possibilitou a criação dos pixels. Por fim, o de química foi recebido por Venkatraman Ramakrishnan, Thomas A. Steitz e Ada E. Yonath pelos estudos da função e da estrutura dos ribossomos, o que ajuda a compreender como as bactérias “criam” resistência aos remédios.

O de literatura foi destinado a Herta Müller, não tanto pela sua escrita, mas mais por seu posicionamento político antiautoritarista em plena Alemanha comunista, evidenciando os podres do regime socialista. O de economia, por sua vez, a Elinor Ostrom e a Oliver E. Williamson. A ela, por seu trabalho na demonstração de como propriedades em comum podem ser utilizadas por associações de usuários sem a interferência do estado. Já ele, de como por sua teoria sobre resolução de conflitos entre corporações, também sem interferência estatal. Uma de caráter claramente ambientalista, já a outra com uma postura relativamente liberal, meio contraditório já que ainda passamos por uma crise econômica.

Por fim, a surpresa do ano foi a laureação do Nobel da paz a Barrack Obama, o primeiro afro-descendente a alcançar o mais alto posto governamental estadunidense. A surpresa foi pelo fato de Barrack Obama ainda não ter realizado suas metas, porém, apenas a sua vitória eleitoral já bastou para que os nervos da política internacional se acalmassem.

E o nosso Brasil continua sem ter um Nobel na estante. Já chegamos perto diversas vezes, mas o máximo que alcançamos foi o prêmio de litaratura de Saramago, o escritor português que aboliu a pontuação de sua escrita. Enfim, sempre temos o ano que vem.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Fotografia: Ciência ou Filosofia?

Foi numa manhã, mais precisamente no dia 19 de agosto de 1839, em território francês, que a fotografia se tornou de domínio público. O anúncio oficial foi feito na Academia de Ciências e Artes de Paris pelo físico François Arago, que explicou para uma platéia espantada os detalhes do novo processo desenvolvido por Louis Jacques Daguerre. O físico apresentava e doava ao mundo o daguerreótipo. Naquele momento o ato parecia uma mágica. Uma caixa escura, ferramenta capaz de captar e fixar numa superfície o mundo "real".

Dizem as lendas que em seguida à cerimônia várias pessoas saíram as ruas em busca de uma máquina de fazer daguerreótipos e essa vontade de produzir imagens nunca mais cessou. Daguerre não perdeu tempo. Antes de doar seu invento à França, já o havia patenteado nas Ilhas Britânicas, nos Estados Unidos e nos quatro cantos do mundo.

"De hoje em diante, a pintura está morta" declarava o pintor Paul Delaroche. Nos círculos mais conservadores e nos meios religiosos da sociedade, "a invenção foi chamada de blasfêmia, e Daguerre era condecorado com o título de 'Idiota dos Idiotas'". O pintor Inglês, ainda que utilizasse os daguerreótipos de Nadar para executar seus retratos, menosprezava a fotografia, como sendo apenas um produto industrial e confidenciava: "a fotografia é melhor do que o desenho, mas não é preciso dizê-lo".

Baudelaire, um dos mais expressivos representantes da cultura francesa, negava publicamente a fotografia como forma de expressão artística. Alegava que "a fotografia não passa de refúgio de todos os pintores frustrados" e, sarcasticamente, celebrava a fotografia "como uma arte absoluta, um Deus vingativo que realiza o desejo do povo. e Daguerre foi seu Messias. Uma loucura, um fanatismo se apoderou destes novos adoradores do sol". Com estas declarações, Baudelaire refletia o impacto causado pela fotografia na intelectualidade européia da época.

Um artigo publicado no jornal alemão Leipziger Stadtanzeiger, ainda na última semana de agosto de 1839, ajuda a compreender melhor este confronto:"Deus criou o homem à sua imagem e a máquina construída pelo homem não pode fixar a imagem de Deus. É impossível que Deus tenha abandonado seus princípios e permitido a um francês dar ao mundo uma invenção do Diabo".(Leipziger Stadtanzeiger ,26.08.1839, p.1) A nova concepção da realidade conturbou o mundo cultural e artístico europeu.

Como entender que a fotografia viesse para ficar a não ser em substituição das tradicionais formas de representação? Já se havia gasto vãs sutilezas em decidir se a fotografia era ou não arte, mas preliminarmente, ainda não se perguntara se esta descoberta não transformava a natureza geral da arte e da cultura. A nova invenção teve importância mais filosófica do que científica. Nasceu dentro do germe da sociedade industrial e a partir desta data o mundo nunca mais seria o mesmo.

domingo, 11 de outubro de 2009

Feriado Graças a Deus

Amanhã é dia das crianças, mas sinto lhes informar que, infelizmente, dia das crianças não é feriado. O feriado é graças ao Dia Santificado, homenagem à Nossa Senhora Aparecida, padroeira do nosso Brasil varonil. Feriado assegurado por lei. Amanhã também é dia da leitura, mas isso não vem ao caso. O ponto em que quero chegar é o de que amanhã é um feriado em homenagem a uma santa. O problema? É um feriado religioso.

Não que seja um problema de fato, não tenho nada contra religião nem contra feriados – até porque eu nem sei mais o que é esse tipo de coisa, amanhã tenho aula; até já gostei de feriados num passado remoto e pretendo gostar de novo num futuro não muito distante, mas no momento, pra mim, eles não existem –, mas faz sentido um governo dito laico assegurar por lei um feriado religioso?

É certo que o Brasil é o país com o maior número de católicos do mundo, mas democracia, pra mim, não é impor a vontade da maioria, mas sim assegurar os direitos da minoria. E os brasileiros muçulmanos, hindus, budistas, judeus, ateus, agnósticos e comunistas? Como ficam? Qual é o sentido em um muçulmano comemorar o Dia Santificado, um budista comemorar o Natal ou um ateu comemorar a Páscoa? Por que não comemoramos o ano novo judeu ou chinês além do nosso réveillon tradicional? Muitas perguntas e poucas respostas.

Se vocês pensarem bem, o cristianismo está fortemente impregnado em nossa sociedade. Hospitais, praças, cidades, estados, colégios. Diversos deles com nome de santos. Nem os reais escapam do “Deus seja louvado” ou os dólares do “in God we trust”. Repito, não tenho nada contra religião muito menos contra feriados, só não vejo sentido em se ter um feriado nacional, oficial e religioso.

Se bem que, pensando bem, feriado nunca é demais. Esse post deve ser birra de vestibulando inconformado com os amigos estarem na praia enquanto ele – no caso eu mesmo – vai ficar por aqui, estudando. O que me resta é rezar pra que chova mesmo.

sábado, 10 de outubro de 2009

Momento... Introspectivo

Os pensamentos postos em papel não passam, em geral, de vestígios deixados na areia por um passante. Você enxerga o caminho que ele tomou, mas para saber o que ele viu durante o caminho, é preciso usar os seus próprios olhos.

Eureka!

Afinal, o que é um gênio? Nas palavras dos sábios, "gênio é aquele que entende as coisas mais simples". As grandes descobertas do homem se embasaram em acontecimentos triviais. Isaac Newton teve curiosidade de saber porque uma maçã cai da árvore e a partir disso surgiu a lei que explica porque não estamos, nesse exato momento, flutuando no ar.

Claro que muito sobre esse assunto já foi discutido. Na mitologia chinesa, essa tal gravidade não existia. Flmes de kung fu, como o "clássico" "O Tigre e o Dragão", mostram isso; mas como normalmente não vejo pessoas pulando enormes distâncias por aí, acho que vou acreditar na gravidade (se bem que muitas coisas seriam mais fáceis se pudéssemos voar, mas isso é história para outro texto).
O antigo Arquimedes, descobriu um jeito simples de identificar diferentes substâncias apenas mergulhando esses na água, e assim foi mais reconhecido ainda pelo rei. Um grande gênio do Japão antigo (créditos ao Jamil por esse comentário) o samurai, posteriormente monge, Miyamoto Musashi via que num pequeno e simples corte de poda poderia existir a mais completa perfeição, um corte que poderia ser executado apenas por um sábio, um experiente, um gênio. A tecnologia surge para suprir pequenas necessidades do homem e acaba crescendo demasiadamente, tornando-se essencial no nosso dia-a-dia. A Internet surgiu para facilitar a comunicação e hoje só o que falta são objetos serem materializados da tela do computador.

Os gênios de cada época trabalham em áreas diferentes. Sempre existiram: desde o inventor da roda e o homem que aprendeu a usar o fogo (não quem o "descobriu"), até aquele conhecido excêntrico que entendeu que até uma coisa trivial como o tempo é relativa. Frente a tudo isso, acabamos até pensando que de gênio ninguém mais pode ser chamado, já que tudo que imaginamos já foi descoberto. Mas o gênio não é só aquele que descobre o trivial. É também aquele que encontra no trivial o que ainda não foi descoberto.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Haru Matsuri 2009 - Curitiba

Dias 10, 11 e 12 de Outubro (sábado, domingo e segunda), no pavilhão de exposições do Parque Barigui, estará havendo o Festival da Primavera de Curitiba, no estilo nipo-brasileiro, o Haru Matsuri.

O Matsuri contará com a participação de gloriosos grupos folclóricos como o grupo de dançarinas do Odori (dança tradicional japonesa), grupos de Taiko (tambores japoneses), grupos de artistas marciais, e nossos cantores de todas as faixas etárias, dessa vez com a participação do cantor de Maringá, Joe Hirata. Além disso, teremos atividades culturais, dirigidas pelo Consulado japonês, como a cerimônia do chá. Exposições de diversos objetos, carros e fotos. Para uma diferente diversão: o Matsuri Dance, dança feita por jovens com músicas japonesas, apresentações de bandas cover japonesas e torneio de cosplay. Venda de artesanato japonês: desde origamis (dobraduras) e ideogramas até kimonos, ante com bambu e produtos de anime (desenho japonês) e mangá (gibi japonês). E a esperada praça de alimentação com variados pratos japoneses e nipo-brasileiros.

Haverá também o XXVII Gueinosai, Festival de artes cênicas: danças e músicas folclóricas; e também o concurso para escolha da Deusa da Primavera 2009.

Horários:
Sábado: 10:00~22:00
Domingo: 10:00~22:00
Segunda: 11:00~18:00

Preço:
R$5,00 o ingresso

Espero vocês por lá!